Relatos Pessoais: Transição de carreira com Luiza Lino
- Jornal A Sístole
- 6 de jun. de 2023
- 2 min de leitura

Por Júlia Lourenço
Para falar sobre transição de carreira, o jornal “A Sístole" convidou a estudante Luiza Lino, do sexto período de medicina da UFRJ Macaé, para falar um pouco da sua experiência em mudar de profissão e ingressar na faculdade de Medicina.
Transição de Carreira
“Por que alguém escolhe mudar de profissão, recomeçar “do zero”, depois de uma vida e carreira estabilizadas?
Sinceramente, existem dias que eu tenho essa resposta na ponta da língua e existem outros dias em que eu mesma me questiono o porquê resolvi fazer isso. Não é, definitivamente, uma escolha simples para quem a faz. Aos 30 e poucos, o que a sociedade espera da gente é estar com tudo construído aos seus moldes: trabalho, casa, marido, filhos... Quando verbalizei para mim mesma pela primeira vez a vontade de voltar a estudar para fazer Medicina, meu sonho desde criança, até eu mesma me julguei. Imagina o que as pessoas iriam me dizer? “Imprudente, maluca, ingrata, inconsequente...”
Afinal, eu tinha uma profissão incrível, um emprego excelente e tinha casado há pouco tempo. A ordem “natural” das coisas seria seguir o normativo. Surpreendentemente e, para minha sorte, pelo menos os que estavam ao meu redor, familiares e amigos, me encorajaram a acreditar no meu sonho e em mim mesma, de que eu seria capaz dessa conquista e teria sucesso nessa empreitada. Os que duvidaram, ainda bem, não tiveram a ousadia de falar frente a frente.
Como libriana que sou, demorei a decidir as coisas, mas, uma vez decididas, é tudo à vante, nada à ré.
Tem sido fácil desde então? Nem um pouco. E olha que, na realidade brasileira, reconheço meu lugar de muitos privilégios.
Sim, às vezes penso que estou velha, que vou me formar tarde demais para fazer uma residência, que não tenho mais idade para ir em festas universitárias, e por aí vai...
Sim também, sou membro da construção social e ainda me pesa a bagagem do preconceito, apesar de eu subvertê-lo todos os dias vivendo cada uma das experiências estudantis a que tenho direito e vontade.
Para quem está pensando em seguir esse caminho, posso dizer com tranquilidade e gratidão que, ao menos na minha bolha UFRJ Macaé, sempre me senti totalmente acolhida e pertencida, encorajada e valorizada pela minha história. Com tristeza, reconheço que essa ainda não é a realidade de todos os ambientes. Com esperança, vislumbro um futuro em que todos poderão ser quem e o que quiserem, a qualquer tempo.”
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