PRESS RELEASE: TROTE - INTEGRAÇÃO OU DESRESPEITO?
- Jornal A Sístole
- 22 de abr. de 2020
- 2 min de leitura

Por Luísa Erthal e Karine Corrêa
O ingresso dos calouros de engenharia da UFRJ Macaé em março de 2020 veio acompanhado por uma grave polêmica. Os novos estudantes foram pintados com tinta preta e vestidos como garçons pelos veteranos da 10ª turma da instituição, rendendo uma enxurrada de críticas nas redes sociais e acusações de racismo aos envolvidos. Em nota, a direção do Campus Macaé afirmou que repudia quaisquer manifestações de racismo e relata ter aberto inquérito para apurar o ocorrido no trote dos calouros de engenharia. Os trotes universitários são práticas comuns em muitas instituições de ensino superior no Brasil, sendo considerados uma tradição e uma oportunidade de integração entre calouros e veteranos. Não é incomum observar, no início dos anos letivos, calouros fantasiados, pintados ou trajando as roupas das respectivas faculdades, participando de gincanas coletivas e celebrações. Uma prática muito interessante e que nos últimos anos se disseminou pelo país foi o trote solidário, que consiste na arrecadação de mantimentos e donativos por parte dos calouros e veteranos em conjunto para instituições carentes, uma ótima oportunidade de fazer com que esse ritual dos novos universitários ajude à comunidade. Contudo, não é surpreendente encontrar reportagens nos jornais mostrando abusos nos trotes por parte de veteranos, humilhações aos calouros, desrespeito e até mesmo assédio. O artigo “Trote universitário: diversão ou constrangimento entre acadêmicos de saúde?” buscou a opinião de universitários de cursos de diversas áreas da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros) acerca da participação nos trotes. O resultado foi que 77,5% dos entrevistados não enxergavam o trote como uma forma de violência e 67,8% relataram ter participado de atividades do tipo ao ingressar no curso. 69,7% destacou que o trote naquele ano (2012) não provocou situações de constrangimento na Unimontes. Motivações citadas pelos veteranos para a realização do trote foram diversão, interação entre os universitários e a oportunidade de repetir com os novatos o comportamento que lhes foi cobrado ao adentrar a universidade. A conclusão do artigo é que os universitários, em sua maioria, parecem apoiar os trotes como oportunidade de integração e diversão, uma espécie de ritual que alegra o início dos períodos letivos. As universidades, no entanto, precisam estar atentas ao conteúdo dos trotes, visando assegurar que estes não se tornem ofensivos a nenhum público específico ou abusivos com os próprios calouros. Considerando que até março de 2020 ainda não há lei sancionada, no Brasil, que regule a prática dos trotes universitários, o ideal é que haja comunicação entre as diretorias acadêmicas e os universitários a fim de evitar episódios como o ocorrido com o trote de engenharia da UFRJ Macaé.
Para acessar a reportagem e o artigo original: https://extra.globo.com/…/ufrj-investigara-trote-em-que-cal… http://www.scielo.br/pdf/bioet/v21n2/a19v21n2.pdf
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